Como Lidar Com Narcisistas

Eu comecei um método chamado "pedra cinza" para lidar com meus pais narcisistas. Eu sempre suspeitei que meu pai era narcisista, mas não sabia como minha mão se encaixava nessa dinâmica. Qual foi a minha surpresa ao descobrir que ela também se encaixava nos sintomas, assim como a Rachel. Interessante, né? O curioso é que os três estão em espaços distintos do gráfico.



Enfim, eu assisti um vídeo no YouTube falando sobre como lidar com narcisistas se você não consegue simplesmente cortar eles da sua vida. O que é exatamente o meu caso.

Durante meses, eu tentei fazer um tratamento de silêncio com meus pais (indo e voltando), mas apesar de ter conseguido um pouco de paz com meu pai, eu achei que minha mãe só era babaca por causa da Igreja ou por causa do meu pai. E adivinha? O vídeo falou exatamente sobre isso quando apresentava os narcisistas oligárquicos e organizados "eles tendem a se esconder atrás de uma religião", "dizem que a função deles é manter a ordem, etc". Ou seja, minha mãe é narcisista também, que curioso. E a Rachel, como a criança de ouro, também está se transformando em uma narcisista, é isso que acontece com as crianças de ouro quando crescem. Já eu e o Amon, basicamente, a predição diz que nós dois vamos ter que viver com um monte de patologias baseadas em abuso. O que não é uma surpresa, já que eu tenho múltiplas personalidades e também penso em suicídio constantemente. 

Basicamente, o psiquiatra que fez o vídeo falou sobre algumas coisinhas que você pode fazer para ser desconectar um pouco desse tipo de pessoa. Basicamente, são coisas que eu já sabia que funcionavam, mas eu não tenho o método mais refinado. Entre as coisas que ele sugeriu está a bendita sugestão da pedra cinza.

Ser a pedra cinza. Basicamente, é um trabalho de dissociação emocional para que você entenda aquela situação da forma mais racional possível, para que você não fique terrivelmente envolvida emocionalmente com tal situação. E eu tenho que dizer que esse método funcionou perfeitamente. Acontece que eu já tinha sentido algumas vezes que no sistema de transtorno dissociativo de identidade do qual eu faço parte, tem uma pedra. Uma pedra cinza. Não entendi direito a função da pedra e quando ela era importante, mas eu finalmente entendi ela depois de ter testado o método. E como ele funciona?

Você precisa responder o menos intensamente possível, você precisa ser chata, sem graça, sem sal. "Sim, não, aham, hmhm, eu preciso disso, ok, sim, você está certo". O mais chato possível. 

Eu não estava levando muita fé, sabe? Eu achava que meus pais não estavam nesse nível de narcisismo. Afinal de contas, nas minhas famosas greves de silêncio, eles não ligavam pra nada. Ambos pareciam mais felizes, mais toleráveis, mais amorosos. E eu meio que descobri o motivo: quando você faz uma greve de silêncio, você não vai fazer aquilo permanentemente, correto? Você quer resultados e, portanto, faz essa greve que mais chama a antenção do que te ajuda a ficar em paz. E talvez esse seja o problema, sabe? Eu tinha esperança de que eles fossem mudar. Eu achava que eles chegariam a um momento de aceitação, sabe? Mais é aí que o lance da pedra fica interessante. Esse é um método de invisibilidade, não é uma greve, ele serve como uma mudança obrigatória da dinâmica entre o abusado e o abusador. E ele é sustentável por longos períodos.

Foi sugerido que eu segurasse uma pedra para me lembrar do que eu estava fazendo. E então, um novo dia começou... às uma hora, porque foi quando eu acordei. Comi. Saí da mesa quando merdas estavam sendo ditas. Fui assistir o novo filme da Netflix, extremamente absurdista e muito interessante. Foi aí que meu pai decidiu encher o saco com o horário da minha aula.

"Você tem aula hoje, não perde a aula"

"Ok"

"Você é muito irresponsável, não perde a aula"

(silêncio)

Continuei a assistir meu filme e comecei a assistir a aula ao mesmo tempo. E foi aí que ele voltou e repetiu a mesma coisa, várias vezes. E eu disse "ok". Antes desse método, eu iria falar para ele que era óbvio que eu estava assistindo a merda da aula no meu celular e que ele não precisava me mandar assistir. Mas eu persisti. Ele voltou para o quarto, logo saiu de novo e continuou gritando. Nesse momento, eu notei que se eu não dissociasse, eu iria chorar. Logo a pedra tomou meu lugar e eu dissociei completamente, não faço a mínima ideia do que ele disse, eu só sei que a personalidade pedra ficou olhando para a pedra que eu estava segurando. E eu voltei quando ele acabou, meu coração estava batendo rápido. Só escutei a frase final "se você peitar, eu vou peitar também". O curioso é que eu não peitei ele. E eu tenho certeza que a pedra não brigou com ninguém, já que ela é muda.

Em uma situação normal, ele não teria explodido por tão pouco. Ele geralmente explode daquele jeito quando eu faço um piercing ou pinto meu cabelo, falo que vou ter filhos, monstro interesse no meu futuro, coisas do tipo. Quando minha mãe saiu do quarto logo depois, ela disse que eu deveria prestar atenção na aula, fazer anotações e deveres, ela veio checar o celular para ver se eu estava mesmo na aula. Ela disse que meu pai não iria parar de pagar a aula. Eu fiquei levemente surpresa com essa frase porque eu não lembrava que ele tinha dito isso. Só concordei e continuei a ver o meu filme. Novamente, minha mãe não tende a ser assim, especialmente quanto ao lance de checar o celular.

Foi MUITO estranho. Mas eu fui avisada de que isso iria acontecer. Em um dos vídeos que eu vi, me foi explicado que na fase inicial, eles iriam tentar qualquer coisa para causar reações emocionais, já que o narcisismo faz com que a pessoa se alimente de drama e sugue a sua energia. Quanto menos energia você tiver para dar, mais eles entendem que você não é mais uma fonte da qual eles podem explorar rotineiramente, então eles procuram outras fontes. Curioso!

Outra sugestão foi a busca de atividades que me trazem energia. Coisa que eu já sabia, mas que são extremamente difíceis de encontrar ou de desenvolver na pandemia. Por exemplo, eu tenho ouvido alguns audiolivros, e aguado as plantas. Eu tenho comprado filmes e conversado com amigos da internet. Eu voltei para o Twitter, eu estou escrevendo um pouco para o blog agora. Tem sido interessante, eu sinto que estou me desenvolvendo bem.

Outra sugestão foi escrever um diário. 

O interessante é que o motivo pelo qual eu parei de escrever tanto no blog quanto no diário foi porque eu sabia que eu tinha regredido de certa forma e que eu precisava de um tempo para relaxar e pensar. Eu fiquei um pouco cansada de pensar sobre o DID e me perguntei se era só invenção da minha cabeça novamente. Depois de um mês, talvez dois meses sem pensar muito sobre isso, eu tenho quase certeza que eu tenho DID mesmo. Não é só porque eu não penso nisso que o sistema não existe mais, sabe?

Enfim, espero que as coisas melhorem a partir disso.


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