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Mostrando postagens de janeiro, 2020

Homens me Fizeram Feminista (Beca)

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Eu não acredito em Deus. Entre os milhares de motivos que tenho para não acreditar em Deus é que esse filho-da-puta, se existisse, seria machista, racista e uma péssima pessoa, em geral. Muitas atrocidades foram feitas em nome do Deus cristão. Isso todos sabem, mas a maioria ignora, pensando que isso acontecia no passado e não agora. Como se hoje em dia o cristianismo não estivesse afetando a guerra entre Israel e Palestina; como se homofobia não fosse majoritariamente baseada em versos bíblicos; como se muitas pessoas não baseassem o consumo de carne na supremacia humana adâmica comparada ao resto da natureza, como se a crença no apocalipse não afetasse a forma como as pessoas veem o aquecimento global, a terra redonda e a evolução das espécies... continue se iludindo, cristãos. Finjam que vocês são ótimas pessoas porque "Jesus disse isso", eu não ligo. Mas não é como se ateístas fugissem dessas ideias tóxicas, eu acredito que ninguém consiga fugir delas completamente. M...

Como eu me sinto depois de descobrir que eu tenho OSDD

Já faz quase dois meses que Giulia, a anfitriã desse sistema, descobriu que nós somos, de fato, parte de uma só pessoa que nunca existiu. Eu sou a Kara, frontando com a Thalia co-consciente. O Corpo vai se sentir uma merda amanhã, mas eu prometo, por tudo o que eu mais amo, que ele vai dormir a tarde inteira. E esse é justamente o processo pelo qual estamos passando nesse momento de autodescoberta. A Giulia tem falado muitas vezes durante o dia que agora ela entende os motivos das coisas nunca darem certo. Ela vivia com uma visão de mundo que simplesmente não se aplica a uma pessoa (ou várias) com OSDD. Como, por exemplo: "seja você mesmo" e "organize seu tempo". Primeiro que se todos nós fôssemos nós mesmos, toda a vez que Ilda frontasse, ela iria tentar matar o corpo. E nem precisaria ser tão drástico. Só o fato de um de nós dizermos uma coisa num dia e no outro, outra pessoa dizer algo completamente diferente, já ativaria os sentidos aranha das pessoas ao nosso...

Eu tenho algumas personalidades (Lia e Thalia)

Olá. Eu sou Lia, a pessoa que criou esse blog. Eu provavelmente estou me expondo de mais, mas eu tento não ligar. Eu não sei se você sabe, queridíssimo leitor, mas se existe alguém lendo... Eu preciso que você saiba que aqui tem mais coisas sobre experiências pessoais do que qualquer pessoa na nossa vida sabe.  Eu gostaria de contar que eu sou uma personalidade de uma pessoa com OSDD-1b, pra ser exata. Eu meio que acabei de descobrir, mas eu sinto que deveria contar.  (Esse é o melhor aspecto de ter um blog que ninguém vê... eu não ligo se eu estiver errada porque é só apagar.) Tudo começou com meu pai. Acontece que ele tem autismo e eu ficava pensando "eu tenho variações curiosas de humor e tem momentos que eu simplesmente não me sinto eu mesma, será que eu tenho autismo?" E muitas coisas bateram: Giulia (personalidade anfitriã) não entende expressões idiomáticas, não tem muita sensibilidade com o que machucaria as pessoas... e faz o que quiser, não importa ...

Planejamento do meu Suicídio (escrito por Ilda, revisado por Lia)

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Eu quero me suicidar e eu já decidi isso. Mas eu gostaria de contar o porquê. Muitas pessoas tem medo de serem pepinos em camas de hospital, recebendo soro e com os filhos chorando do lado do leito. E eu tenho esse medo multiplicado por 17.  As pessoas dizem que essa cena as fazem desconfortáveis por causa das pessoas que eles 'fazem sofrer' nesse longo processo que a morte é pra maioria. Mas eu tenho motivos muito mais egoístas que isso. Foda-se minhas filhas! Eu não quero sofrer. Morrer é tão complicado, tão chato, às vezes doído! Morrer é um saco e eu quero decidir quando e como que vai acontecer.  Eu não ligo pro meu corpo já morto, sinceramente. Pode jogar ele na piscina e esquecer lá. Pode esquartejar, dar pra ciência, tostar, guardar num potinho, comer ele ou transar com ele, eu não ligo . Mas o processo de morte sempre acontece em vida e nisso, eu exijo controle. Eu exijo que meus últimos momentos nessa Terra sejam passados em contextos estranhos, in...

Dia #7 - Tentativa de Abstenção de Mídias Audiovisuais

Eu encontrei uma forma de lidar com o YouTube. Existe uma função que conta as horas passadas vendo vídeos e a única coisa que eu preciso fazer é ver menos que uma hora por dia. Eu tenho alguns vídeos na minha lista de "Dia 7". Lá tem os vídeos que eu quer ver e eu vou assistir mais ou menos uns dois por dia (já que os vídeos do breadtube são bem longos). Hoje, eu acabei um canerdo com o meu esquema das sexualidades humanas. Estou pensando em fazer um artigo sobre ele. Tem desenhos e é bem simples. Os rótulos são colocados apenas depois do esquema ser feito, o que deixa as coisas mais abertas para discussão. Mas, enfim, fiquei muito feliz de ter escrito tanto essas férias. De ter testado tantas coisas, inclusive esse blog, que eu estava esperando que não desse em nada, mas ele transformou em um hobbie que provavelmente veio para ficar. O prazer que eu sinto ao postar alguma coisa e ver na página de internet o que eu escrevi é indescritível. Já faz alguns dias e o sentiment...

Rachel Dolezal (Lia)

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Ontem, eu vi um documentário da Netflix sobre a Rachel Dolezal, a mulher branca que se identifica como negra. Foi bem interessante, me fez pensar. Raças foram inventadas por Europeus e eles estavam completamente errados sobre como etnias funcionam. Por que a gente liga tanto assim pra categorizações de humanos que não fazem nenhum sentido? Por exemplo, muitas pessoas falaram pra Rachel que ela não sabe como é ser uma mulher negra porque ela não conhece a opressão que uma mulher negra sofre. Então o feminino e a negritude tem que ser diretamente associados com sofrimento? Apesar desse meu questionamento estar favorecendo pessoas brancas no debate ou pelo menos, me apropriar dos argumentos do Morgan Freeman, eu não quero dar a entender de que concordo com a lógica do "se a gente colocar embaixo do tapete, talvez suma". Eu sempre sou favor de pessoas negras quando racismo está em discussão como em apropriação cultural, privilégio branco, colorismo, texturismo e outros tópicos ...

Dia #6 - Abstenção de Mídias Audiovisuais

Hoje, eu não vi nenhum vídeo, ainda. Ontem, eu vi um e ele era uma reação da Supergirl (ou seja, eu posso ver). Hoje, eu escrevi o artigo de Supergirl o dia inteiro e foi muito divertido, amei cada momento. Parei de ter abstinência, tipo, mesmo . Viciei no blog como substituto. Mas se alguma coisa mudar, eu aviso. Talvez nem tenha artigo sobre abstinência amanhã, vamos ver. 💖

Dia #5 - Abstenção de Mídias Audiovisuais

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Ontem, eu tive muitos sentimentos quanto a minha abstinência. Raiva, principalmente. Mas hoje, foi muito bom. Eu tenho que admitir, pessoa que nunca lerá isso, que eu já transferi o meu vício. E talvez ele seja um dos únicos vícios que tenha a capacidade de se transformar em algo saudável. Não sei. O novo vício é esse exato blog. Eu tinha dois hábitos frequentes antes de iniciar esse blog: assistir vídeos no YouTube e escrever no meu diário. Você susbstituiu os dois. Parei de escrever no meu diário. E eu até ficaria triste com a minha tranferência de vício, se esse vício não me ajudasse a chegar exatamente onde eu quero. (Além de que esse blog nunca vai perder o domínio) Eu não vou falar agora (porque eu preciso que a ideia 'fermente' antes de 'explodir'), mas eu já comecei a maquinar algumas coisinhas para fazer no blog. Uns projetinhos. E eu não sei se eles vão vingar, mas é por isso que existe a função delete , né? Além de que tem como eu editar...

4 Razões Porquê Supergirl Me Dá Ar aos Pulmões (Lia)

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📢 O seguinte artigo foi escrito por uma pessoa com autismo descrevendo um dos seus interesses especiais. Se você não está pronto para um monólogo extremamente longo e minucioso, eu sugiro que você não leia. Tudo começou em 2014, o ano em que eu descobri (em palavras) que eu sou lésbica. Deprimida, eu ficava bastante no Netflix. Passando as sugestões, me deparei com uma pessoa vestida de Superman, mas com saia de líder de torcida. Era uma das milhares de sugestões na fila de "séries da TV americana". E eu só consegui pensar "por que essa membro da juventude hitlerista tá na capa de uma propaganda feminista?". O contraste das duas ideias na minha cabeça causava curiosidade. Cliquei e depois de menos de vinte minutos rodados, o amigo (Winn) da personagem principal afirmou que ela era lésbica e concluiu que era por esse motivo que ela não gostava dele (como se nenhuma mulher hétero resistisse ao Winn ). Fiquei bastante incomodada, mas quando a Kara gritou "I...

Conheça Os Personagens do Meu Livro (Lia)

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Então, sabe essa foto, de uma pessoa que ninguém conhece? Essa é uma imagem da minha personagem principal. Pera aí, que fica pior. Quanto mais eu escrevo a personagem, mais a personalidade da Jamila (qualquer semelhança é pura coincidência) parace com a minha. Jamila tem os meus traços de autismo, mas usando crack: só fica na própria cabeça, fissurada por consumir as mesmas coisas várias vezes, não entende a necessidade neurotípica de contato, estuda como interações sociais funcionam, é demissexual e, é claro, ela ama glitter. Para neurotípicos isso pode parecer uma lista arbitrária, mas para autistas, especialmente meninas autistas, faz todo o sentido. (por favor, ignore o título do vídeo e também o volume dele) Essa seria Donnick, o interesse amoroso de Jamila. Eu não ligo se você acha que elas não combinam, inclusive, eu espero que você imagine elas sem a ajuda das imagens quando você ler o meu livro. Eu digo quando porque você vai ler meu livro, pessoa misteriosa qu...

Sonhos e Os Desejos Reprimidos do Inconsciente (Lia e Entrevistador)

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Ok, você veio aqui pra entender seus sonhos. Saiba que eu estou usando o método de Freud. Se você tem métodos mais modernos ou se você prefere interpretações mais espirituais, então siga suas interpretações, seu estranho. Eu não estou aqui pra falar que seus sonhos são desejos reprimidos tentando encontrar um caminho para a luz do consciente, e sim que tudo está livre para interpretação. A vida é linda e você não precisa se preocupar com coisas que você não liga. Por exemplo, o aquecimento global - se você não ligar pra ele, para de ser verdade. Tudo é questão de fé. Freud é conhecido por ser tarado. E eu entendo essa acusação porque eu mesma a fiz ela ao longo do livro e reclamei para minha irmã o quanto ele parecia forçar a barra. O grande problema foi que Freud só explicou o que ele queria dizer com os significados eróticos dos sonhos muito depois de ter desenvolvido a ideia. Ele evita falar de sociologia e a explicação ficou para o último minuto. Freud explica (ha ha) que com...

Eu Não Sou Um Homem (Lia)

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Como eu sei que aquilo foi traumático? Porque assim eu me sinto. Eu não tenho treino nenhum em Psicologia e não faço a mínima ideia do que se encaixaria como algo traumático, mas foi assim que aconteceu. Chegando lá, eu não sabia se ela me faria uma cura gay ou se ela me ajudaria aceitar minha sexualidade. Mesmo que até hoje eu não saiba o que aconteceu naquelas sessões, eu considero que aquilo foi abuso psicológico e um grande trauma na minha vida. Entre as coisas que considero traumático, ela me fez pensar que eu poderia ser um homem, e como fui designada menina ao nascimento, eu seria trans. Ela constantemente me pedia para eu desenhar imagens de mim mesma. E como eu tenho seios pequenos e sou bem masculina, os desenhos de mim mesma ficavam bem masculinos. Sendo assim, ela me perguntva coisas do tipo: "como eu me sentia me vendo pelada no espelho?" e "como eu me senti quando seus seios começaram a crescer?" e é claro que para as duas perguntas eu respondia ...

Meu Ódio Crescente por Redes Sociais (Lia)

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Você (é claro) já leu meu texto sobre "Por que fazer jejum de YouTube?" e como eu sei que você está curioso para saber mais, postando, eu vou te explicar o motivo do meu ódio por redes sociais. É tudo muito simples: eu não gosto de pessoas. Eu não quero ser como elas, eu não quero agir como elas. Eu sou especial, única e inalcansável. Em parte, é mais ou menos isso mesmo, mas em geral, é porque ambientes sociais me trazem muita ansiedade, em particular, ansiedades de dois tipos. Existe uma certa ansiedade social, claro, causado pelo meu autismo: não gosto de aplicativos de conversas, nem aplicativos em que o foco é compartilhar fotos, não gosto de violência verbal e tenho medo de pessoas me exigindo coisas por meio desses aplicativos. Mas a ansiedade que pesa mesmo é uma ansiedade cultural. As modas passam muito rápido, as contas explodem com fãs, alguém é cancelado, apagado, denunciado e celebridades compartilham emoções diariamente e paletas de maquiagem são produzi...