Minimalismo
No momento em que eu cliquei no documentário, eu comecei a notar a quantidade de coisas que tem mudado, que coisas eu quero fazer. Uma coisa que me deixou mais confortável com a vida foi justamente me ter tornado comunista e perceber que sem comunidade, eu não sou ninguém. Sem comunidade, eu estava miserável. E por mais que a comunidade seja má e tóxica, ainda é melhor do que estar sozinho. Claro que eu quero uma comunidade melhor do que essa, mas agora eu entendo o que afeta a minha família, por exemplo, e porque eles são do jeito que são. Ontem mesmo, depois de meses tentando conversar com eles são como o status quo é ruim e tem machucado nossa alma coletiva profundamente, eu relaxei. Eu comi meu sanduíche de 30 cm e tomei meu sorvete de tangerina, acompanhado de chiclete. Conversei sem raiva, sem palavrões, mas com a paixão com a qual eu sempre conversei. Sem notar, eles começaram a falar de como a Igreja deles atraí um tipo bem específico de pessoa: o narcisista-mais-puro-que-você. Falamos também de como a população foi manipulada para votar no Bolsonaro depois de ter se sentido traída pelo governo PT. Falamos como tem sido difícil manter a saúde mental na pandemia, assuntos que nunca teriam sido levados para frente se eu, com minha energia de mágoa, tivesse forçado eles a debaterem.
Agora, eu decidi revê-lo e escrever aqui as coisas que eu quero mudar, as ideias que me vem a cabeça.
Primeiramente, o problema que eu vejo no documentário é justamente a falta de crítica de classe, o que é esperado, na verdade, já que minimalismo é uma propasta individual para um problema estrutural. Mas isso não me incomoda exatamente, já que eu vejo esse documentário como inspirador justamente porque eu gosto de mudar e de imaginar minha vida com lentes de progresso. Porém, por mais que o documentário seja individualista tem essa socióloga, Juliet Schor, que é claramente anticapitalista. Parece que o documentário flutua intelectualmente, mas o que ela fala tem tanto peso, que as ideias flutuantes são forçadas em alicerces históricos.
Eu adoro essa parte! O momento qm que eles filmam a casa do Josh, o momento em que você sente perfeitamente o que cada objeto faz ali. Eu fico com vontade de arrumar meu quarto, revisar meu guarda-roupa, checar meus livros, digitalizar algumas coisas. Talvez, eu devesse checar o podcast deles. Eu me lembro de quando eu ouvia o podcast deles logo depois de ir a terapia para me distrair do que tinha acontecido minutos antes.
Agora, estou vendo a parte das tiny houses e dos apartamentos lifeedited, eu realmente iria adorar viver numa tiny house, com uma área verde grande. Pensa numa coisa que começou a me inspirar foi ter começado a aguar as orquídeas da mamãe. Eu acho que eu deveria recomeçar o meu projeto de sempre: projetar minha casa dos sonhos, porém, com as regras do minimalismo, o mais útil possível. Talvez até uma tiny house.
Essa cena mexe comigo, o Josh falando sobre como a morte da mãe dele abalou profundamente o significado que ele atrelou a vida. Me faz pensar que tipo de coisa eu gosto e quero fazer, que pessoas são importantes pra mim agora. Eu quero uma vida boa na qual eu trabalhe pouco com coisas que eu gosto, eu não sei se isso será possível, principalmente agora que o império estadunidense está caindo, levando o resto do mundo para o buraco. Mas é o que eu quero e isso é valioso porque se essa oportunidade me aparecer, eu vou agarra-la. Talvez eu escolha isso daqui a dois ou três anos, talvez seja daqui a sessenta anos quando o comunismo se instaurar, mas eu sei que eu quero uma pequena casa com um verde infinito.
Eu deveria escutar o podcast enquanto eu aguo as plantas.

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