10 Passos Para Ajudar Alguém Sensível Emocionalmente

Escrito por Hunter, narrado por Hanna.


1/3 das pessoas com Transtornos Dissociativos já passaram por exorcismos. Eu, inclusive.

Eu não precisava de abuso emocional, eu precisava de apoio.

Quando eu saí do armário, meu pai performou um exorcismo em mim que me fez começar a questionar tudo que a minha religião representava. Eu sabia que meu pai não ligava pra minha felicidade. Ele só não conseguia acreditar que eu era lésbica. E eu entendo isso, "eu" já demonstrei interesse em garotos quando eu era criança. "Eu" era feminina, "eu" era religiosa, obediente. Mas essas pessoas não são eu, não mais. Elas foram separadas e eu sou a anfitriã nesse momento. Claro que isso seria difícil de entender, mesmo que eles tentassem, o que não aconteceu. Em vez de conversar sinceramente, eles me deixaram guardada no armário, depois de me exorcisar pra que os demônios que gostam de mulheres fujam da minha psique e se escondam embaixo de um tapete emocional. Em vez disso, eu joguei eles embaixo do tapete emocional. Espero que eles paguem a terapia no futuro.

Hombre en EU mata a su hijo por exorcizarlo de un demonio



Só quero deixar claro: exorcismo é tortura emocional. Não existem espíritos, o que existe é uma pessoa (na maioria das vezes, uma criança) assustada, com medo de errar, com medo de Deus, com medo do homem tocando sua cabeça como se a Terra precisasse ser poupada da vítima.

Exorcismo é uma das experiências que mais causou dissociação em mim. Eu não estava lá, o mundo não era real, aquele não era meu pai.

Se você quer a felicidade e saúde mental de alguém que você ama e respeita, apoie essa pessoa. Agora, vamos finalmente a como a minha família deveria ter reagido a minha saída do armário, ou como eles deveriam ter lidado comigo, em um momento de sensibilidade.

1. Quando alguém contar a você algo profundo, escute com atenção.
Esteja lá, escute a história. Não esqueça dela. Provavelmente, você não vai querer que a pessoa conte a história de novo só porque você esqueceu algo importante. Prestar atenção é um sinal de afeição e respeito.

2. Não sugira nada nesse primeiro momento, você não sabe como agir ainda.
Muitas pessoas cometem esse erro. Um amigo chega para elas dizendo que terminou com o parceiro e elas já saem oferecendo ir a um bar. Essa pessoa ainda não te contou como ela se sente, talvez ela queira chorar no conforto de casa ou até se matar. Se a pessoa ainda não contou tudo, você não pode sugerir nada. As chances da pessoa aceitar fazer a tal coisa e não gostar são altas, além de que você interrompeu um momento delicado de comunicação de sentimentos.

3. Mantenha o contato com que a pessoa em questão se sente confortável. 
Muitas pessoas escutam histórias e começam a a olhar fixamente pra quem as contam. Ou então, vão direto para um abraço inesperado ou tocam a mão da pessoa em compaixão. Talvez seu amigo tenha passado por um estupro e ele morra de medo de contato físico, ou então, ele está contando algo que nunca contou para ninguém e sua encarada parece um julgamento. Tome cuidado. Se tiver dúvidas de como agir, veja como a pessoa está se expressando. Ele está se encolhendo? Evitando contato visual? Ou se quiser ser hiperrespeitoso, você pode pedir para abraçar/tocar a mão/fazer carinho nele.

4. Seja afirmativo.
Esse é o passo mais importante. A maioria das pessoas que sofreram abuso, sentem que são um peso na vida das pessoas que a apoiam. Diga frases como "está tudo bem", "eu te amo", "você vai conseguir alcançar tudo". Mas cuidado com onde essas frases se encaixam no diálogo. Deixe que a pessoa apresente a história principal. Não use essas frases para fazer a pessoa interromper a história no meio. Essas frases precisam significar conforto para a pessoa, então, se ela é cética sobre o futuro (por exemplo), não diga que tudo ficará bem daqui a alguns meses, ela não vai acreditar. Suas frases afirmativas precisam ser personalizadas e moldadas à vivência desse alguém.

5. Depois que a pessoa parar de falar completamente e começar a mergulhar nos próprios pensamentos, não deixe ela se afogar.
Muitas vezes, depois de desabafar, um pessoa deprimida volta para o mesmo estado de desespero de antes, se esquecendo de que tem alguém ali que pode apoiá-la. Nesse momento diga coisas como "estou aqui por você", "você pode confiar em mim", coisas do tipo. Seu amigo precisa lembrar que você se importa. Pode parecer que o mundo todo está contra ele, mas você vai estar lá, ele não estará sozinho.

6. Deixe a pessoa pedir por ajuda, antes de você oferecer.
A maioria das pessoas se comunica por um motivo. E expressar sentimentos e contar coisas traumatizantes pode ser algo drenante. Provavelmente, seu amigo está te convocando para algo. Claro que ele pode só ter ido falar com você porque você o apoia, porque você o escuta, porque você é um bom amigo, mas também pode ser porque ele precisa de dinheiro, ele quer viajar de carro pelo litoral, ele precisa ficar na sua casa aquela noite ou talvez ele precise de seu rim esquerdo, mas o importante é que você:

7. Ofereça a ajuda que você quer dar.
Não adianta você ajudar alguém e prometer mundos pra ela quando você não pode dar nada. Isso é ruim por dois motivos: talvez a pessoa tenha feito isso subconscientemente para te manipular e/ou talvez essa pessoa tenha problemas com confiança; se você não consegue dar o que prometeu, existem chances de que essa pessoa não confie em mais nada do que você disse e jogue todo o momento fora.

8. Depois do silêncio e o choro, quebre o gelo.
Depois que as energias do lugar já se limparam e o ar parece fresco e novo, faça um comentário bonito, ou conte uma coisa engraçada que você viu na internet, leia poesia, faça um chocolate quente. Coloque no ar o que você queria que o ar fosse 100% do tempo. Renove a si mesmo, renove a pessoa em questão.

9. Quando você estiver só, lide com o que aconteceu.
Às vezes, seu amigo está chorando porque dos três hamsters que ele tem, o Flufi morreu. Você provavelmente não vai precisar lidar emocionalmente com a morte do Flufi, mas se seu amigo contou que ele é trans, você provavelmente tem muito com o que lidar. Não só emocionalmente, mas você vai precisar saber que palavras usar, como apoiá-lo especificamente, como mudar os pronomes e primeiro nome do seu amigo na sua cabeça, como conversar com ele no futuro, que problemas ele já passou por causa de transfobia, como não cometer transfobia contra ele... existem muitas coisas com o que lidar nesse caso. Se dê tempo para pesquisar, se expressar e conversar de novo com ele no futuro, talvez até sobre o mesmo assunto, porque você precisa de esclarecimentos ou, então, você precisa deixar claro que você o apoiará sempre. Você também precisa de cura emocional, não deixe os problemas dos outros se acumularem dentro de você. Empatia em acesso dá ruguinha.

10. Não exorcise ninguém.
Espero que você tenha entendido essa parte porque ela é simplesmente fundamental.

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