Ser a Si Mesmo, de acordo com Avril Lavigne e EU
0. Introdução.
1. O que aconteceu no ano passado.
2. Porque paramos de seguir essa filosofia.
3. Reformas.
4. Conclusão.
ZERO - Introdução
A filosofia "ser você mesmo" significa exatamente o que o nome diz. Seja você mesmo. Claro que pode significar muitas coisas já que as pessoas tem ideias diferentes do que é identidade. Avril Lavigne, por exemplo, considera a sua identidade poder falar o que quer, vestir o que quer e poder não se adaptar ao local ou as pessoas ao seu redor. Existe um senso de integridade, de consistência. Ela sozinha é ela ao seu lado, ela não tem camadas de fingimento. Não existem roupas chiques, conversas intelectuais, ser mais respeitosa, falar menos palavrões. Não tem essa. Ela é o que ela mostra. Mas para mim, identidade é um pouco diferente disso.
Eu acho que identidade tem direito a inconsistência, fingimento e hipocrisia, desde que a pessoa escolha e não seja forçada. Eu, por exemplo, gosto de mentir. Eu acho divertido e muitas vezes útil. Eu gosto de fingir que eu sou mais refinada ou intelectual do que eu realmente sou e de contar histórias que nunca aconteceram. Mas, novamente, isso é uma escolha minha. Se eu não quisesse, mas minha mãe mandasse eu fingir, por exemplo, seria horrível. Ao fingir, eu não estaria sendo eu mesma, entende? Porém, quanto a roupas, eu concordo. Antes, eu achava que roupas eram um aspecto muito superficial do que é identidade, mas depois que eu virei minimalista, eu vi que minhas roupas eram todas lindas, importantes, legais e, de certa forma, me representavam, num microcosmo. Basicamente, eu acho que ser você mesmo é fazer o que você quiser. Sendo suas escolhas não sempre as melhores para você e o mundo, é necessário medir, porém, o quanto fazer o que se quer.
UM - O Que Aconteceu no Ano Passado
A filosofia criada pela filósofa contemporânea, Avril Lavigne, em seu primeiro álbum, Let Go, o maior álbum de sua carreira. Ela fala sobre o desprezo que ela tem com pessoas que não fazem o que querem, que passam pela vida sem escolher. Ela fala sobre o próprio processo de auto aceitação e até de alguns sentimentos naturais de superioridade, raiva, desprezo, que são vistos com maus olhos, por mais que todos também nos sintamos assim. Aquele álbum me fez pensar em muitas coisas que eu mesma acho sobre o mundo e o que significa ser você mesmo e fazer o que você quer.
Seguido desse sentimento, eu comecei a fazer o que eu queria. Eu falava da forma que eu queria, na quantidade que eu queria. Eu me vesti da forma que eu queria, comia o que eu queria. Claro que algumas dessas coisas saíram dos limites, mas de certa forma, pra que manter limites, sabe? Quando eu tinha limites artificiais, as consequências eram muito piores. Agora é que eu tinha começado a ter estilo que eu queria manter. Eu tinha roupas que eu gostava, eu tinha ideias do que eu deveria ser no futuro. E foi muito bom, mas não foi tão estável quanto eu achava que seria. Como a Avril Lavigne, eu produzi muito, mas não consegui manter a filosofia durante muito tempo.
DOIS - Porque Parei de Seguir Essa Filosofia
O motivo pelo qual foi uma fase relativamente curta foi justamente por causa do sofrimento que essa filosofia causa. O negócio é que você precisa de apoio para ser você mesmo. Você precisa de amigos próximos ou dinheiro se você não quer se sentir mal. Quando você faz o que você quer, mesmo se for sem machucar ninguém, as pessoas a sua volta fazem questão de te reprimir, seja mandando você mudar a roupa, calar a boca ou obedecer. É por isso que eu tive que fazer algumas adaptações na filosofia original da Avril. Eu tive que incluir mentir, fingir e manipular como parte da autenticidade. Quando as pessoas dizem que te amam logo depois de te tratar mal, ou você precisa arcar com as consequências de sair de lá (que exige dinheiro, tempo ou energia) ou você mente e manipula, o que é muito mais fácil quando você não tem dinheiro, tempo ou energia.
Mas mesmo assim, eu acumulei traumas dessa fase, sabe? Meu avô me humilhando na frente da família toda, minha avó chorando porque eu cortei o cabelo, meu pai gritando comigo que eu vou pra inferno, minha mãe mandando eu calar a boca porque eu falo demais. Eu me machuquei demais sendo eu mesma. Então, era só intolerável ser eu mesma a todo o tempo, até o momento que veio a minha ansiedade e eu notei que eu tinha TDI no início desse ano e acabou com a minha saúde, então eu decidi me focar em metas de saúde enquanto eu estava em casa, achando que eu iria passar um ou dois meses, no máximo três meses em casa, quando estamos aqui a sete meses. Acabei ficando com essa filosofia por costume, mas agora que eu já curei a minha ansiedade e insônia, eu quero voltar.
TRÊS - Reformas
Eu acho que eu já sei o que fazer. Agora que eu cortei o YouTube, eu comecei a pensar em voltar a ser como eu era no segundo semestre do ano passado: falar coisas por mais que elas sejam desconfortáveis, sair de casa sozinha, ser sincera, mandar as pessoas que me maltratarem tomar no cu. E comecei a pensar em como afiar a filosofia ainda mais. O que fazer nesses momentos traumatizantes? Não abaixar a cabeça. Todas as vezes que esses traumas aconteceram, eu abaixei a cabeça. E dessa vez, eu me recuso.
Aprendizados do último ano que mudam a merda toda:
- Eu posso ter a quantidade de amigos que eu quiser, quando eu quiser.
- Narcisistas são sensíveis e fáceis de calar a boca.
- Escrever/fazer gravações logo depois de um trauma acontecer me ajuda a processar o trauma.
- Medo é normal.
- Se alguém for sociopata, você precisa ser ainda mais sociopata. Se alguém for narcisista, você precisa ser ainda mais narcisista. Se alguém for louco, você precisa ser ainda mais louco. E, por fim, se alguém for um amorzinho, você precisa ser ainda mais amorzinho.
QUATRO - Conclusão
Vamos voltar a praticar a filosofia "ser quem eu sou, fazer o que quero".

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