Casamento
Acabei de começar um livro chamado “preguiça não existe”, algo que eu tenho escrito há alguns anos, notando sobre a veracidade deste livro com minhas experiências anedóticas desde o ínicio da minha adolescência. É interessante ser saudável mentalmente e fisicamente. Quando você descobre algo bom, você ou já faz aquilo, ou não faz coisas muito longe daquilo. Nesse livro, foi sugerido que eu fizesse uma curta experiência com escrita expressiva (coisa que também tenho feito há anos, mas que por algum motivo, parei). Eu devo escolher um assunto que considero importante, e seguir escrevendo sobre ele por pelo menos 20 minutos, então vamos começar.
São 17:09 nesse momento e decidi que vou falar sobre o conceito de casamento.
Casamento é uma instituição social que serve para a monogamia e organização de casais héteros, com a função de que eles tenham filhos, coletem riquezas ao longo da vida, passem para tais filhos, se apoiem emocionalmente nessa família e morram sem se sentirem sozinhos. Ou, pelo menos, essa é a história do casamento, não o motivo pelo qual pessoas se casam. Quanto mais tempo passa, é possível ver mudanças radicais em como o casamento deveria funcionar (ou como foi criado para funcionar) versus a forma como as pessoas veem e experimentam o casamento hoje em dia. Casais gays se casam, assim como casais com uma ou mais pessoas trans, mais de duas pessoas se casando, pessoas héteros se casando e não tendo filhos e toda a rebeldia que acompanha personalizar a sua própria experiência se casando e se mantendo (ou não) nesse relacionamento.
Sendo assim, pessoas como eu, que veem o casamento pelo que ele realmente é - uma forma de organizar uma sociedade capitalista a fazer das pessoas “presas” numa teia familiar - simultaneamente, podem querer se casar e só reformar o caralho dessa instituição em algo que faça sentido pra eles.
E é assim pra mim, porém não foi sempre assim.
Por muito tempo, sonhei em me casar com um homem sem rosto enquanto eu, a mulher branca que eu me tornaria, tinha filhos. Sempre foi um sonho meu ser mãe. Mas mesmo esse sonho foi se adaptando com o tempo.
O homem sem rosto foi se tornando uma mulher, eu me tornei eu mesma, a mulher lésbica (e bi) racialmente ambígua que sou, os filhos já não viriam mais da minha barriga, mas de um longo processo legal que eu teria que aguentar para finalmente ter filhos.
E hoje em dia, questiono tudo isso.
Ao me descobrir bissexual (algo um pouco inesperado, porém não tão chocante pra mim quanto foi pras pessoas ao meu redor), comecei a notar que, talvez, eu tenha criado um molde um pouco restrito pra começo de conversa. Que se casar e engravidar de um homem pode ser tão restritivo quanto casar com uma mulher e adotar crianças. Que talvez o casamento seja mais uma armadilha que as pessoas caem e se prendem, com o sofrimento que a monogamia, o abuso, filhos ou sustentar alguém podem causar a alguém.
Basicamente, não sei até que ponto as informações que eu tenho sobre casamento são propaganda ou a realidade.
Tenho lido vários livros ultimamente. Focados em sexo, romance, monogamia, etc. Aparentemente, romance não é algo ruim ou artificial. Parece bem real e bem gostoso, coisa que experimentei por mim mesma a alguns anos atrás. A atração sexual parece que é bem normal também. Querer morar/ficar/ver a pessoa que você ama também parece ser normal. Mas casar em si, com papel e caneta, e alguém para aprovar aquilo pode até ser útil na questão civil, mas não muito na visão subjetiva. O que realmente interfere, o que realmente machuca um casal casado é a falta de flexibilidade que eles tem sem o outro, me parece. A dificuldade do divórcio, a falta de dependência financeira e emocional, a visão restrita de que casamentos tem que durar pra sempre e que divórcio significa ou falta de caráter ou gosto questionável.
Mas pensar nisso me deixa mais determinada do que menos. Me parece um desafio que os benefícios valem a pena, comparados aos possíveis malefícios. Só se vive uma vez, só preciso ser esperta e encontrar uma comunidade, o resto se resolve, o resto cai aos meus pés.

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