Supergirl Está Partindo Meu Coração
Aparentemente, Supergirl está na merda.
Eu estou muito triste e, de acordo com todas as informações que eu consigo sobre o assunto, eu não sou a única.
A sexta temporada já foi confirmada para esse ano e a Melissa Benoist (atriz que faz a Supergirl) tem uma barriguinha de chopp misteriosa que aparece de vez enquando em seres humanos, logo antes deles cagarem uma criança. Basicamente, todos os envolvidos com a série estão heroicamente fodidos, no pun intended.
O último episódio (14) sozinho deve ter sido o bastante para fazer as ações da DC caírem, de tão ruim que foi. Saca só os comentários de uma reação do famigerado episódio:
Foi só isso que aconteceu, meus chapados. Os gays se ergueram. Oh, o futuro brilha. A partir de agora, as representações serão de qualidade!
E eu entendo que o queerbaiting sozinho pode ser uma fonte de grande frustração para a comunidade LGBT, mas para mim, sempre foi um tipo de jogo. Pelo menos, a forma que ele aparecia em Supergirl tinha essa vibe. Mas algo aconteceu no centésimo episódio que fez a série se transformar em ruínas. Eu estava tão envolvida emocionalmente com os personagens que eu simplesmente caí em uma onda de depressão a semana passada inteira.
E OLHA QUE O CENTÉSIMO EPISÓDIO FOI BOM.
Eu fiquei mal porque a última cena confirmou de que o queerbaiting está rolando, propositalmente e com a malícia que eu não estava esperando. Não consegui lidar com isso, minha esperança na humanidade caiu pra 3% em vez de se manter no 7% habitual. Eu meio que estava esperando que o episódio seguinte (que foi o dessa semana) fosse uma merda. Eu até deixei que Body (uma das personalidades apáticas) assistisse em vez de mim. Eu fiquei observando de longe para não ser tão afetada emocionalmente: o que funcionou, já que a minha doença mental serve exatamente pra isso. Obrigada traumas!
Outro motivo que pode ter afetado a percepção do último episódio é o fato de que todas as outras personagens SUMIRAM. Cadê a Nia? Cadê a Alex? Cadê a Andrea? E, pelo amor de Deus, alguém me fala cadê a Kelly porque eu acho que ela não tem um diálogo a cinco episódios.
E olha que eu estou só pensando nos storylines porque até o tema principal da temporada é meio idiota. Os escritores deveriam ter pesquisado no Google "críticas black mirror" antes de fazer uma temporada inteira sobre um assunto que está em declínio. A audiência passou da fase "tecnologia ruim, livro bom". E se, pelo menos, a crítica fosse bem contruída, talvez eles teriam feito um plot mediano, mas não foi isso que aconteceu.
Os vilões não são claros e nem foram muito explorados, os relacionamentos românticos estão brincando de estátua e os escritores esticaram os storylines o máximo possível até o nível de impossibilidade e enfiaram um romance hétero clichê e sem química bem no meio.
D-E-S-A-S-T-R-O-S-O
Agora, acredite ou não, essa parte acima foi o trecho profissional desse artigo, agora eu escreverei mais emocional e profundamente sobre o queerbaiting porque, como eu já disse, me afeta... e muito.
Eu já escrevi em um artigo passado sobre Supergirl que eu me identifico muito com a Kara, por mais que ela não seja exatamente relatable. Isso é por apenas um motivo: ela é bissexual e não se aceita, assim como eu sou lésbica e não me aceito. Falei também que se ela conseguir entrar em um relacionamento, eu iria me sentir mais confiante com a ideia de ter um relacionamento também, por causa dessa identificação.
Acontece que, como ser humano, eu gosto de validação. E, como lésbica, eu não sei o que é isso.
Entenda que eu sou brasileira, marrom, jovem, masculina e abertamente lésbica. Coisas que as duas personagens principais dessa série tão importante para mim não são.
Com essas duas informações apenas, conclua que minha autoconfiança nessas identidades são má formadas. Acontece que eu preciso de representações porque é a única forma que eu conheço de ser LGBT sem "me arriscar" no mundo.
Mas não tenho desculpas porque existem séries melhores. Fleabag, Euphoria, The L Word, Emily Dickinson, Lengends of Tomorrow e She-Ra são só os que vem a minha cabeça. Mas eu estou apegada em um queerbaiting que não vai a lugar algum e que não me representa. Por quê? Porque eu não me aceito ainda.
Porém, eu preciso respeitar o fato de que tem grande chance de eu assistir o próximo episódio semana que vem, assim como eu assisti o episódio dessa semana. Sendo assim, é minha missão sangrar esse artigo e abrir meu coração para um adeus não imediato, mas próximo.
Vamos começar pelo início da crise emocional: a cena final do centésimo episódio (achei cabalístico). A cena não tem nada de mais. É basicamente a Supergirl se provando um mulherão da porra e a Lena se tornando uma supervilã. Mas o que me chamou a atenção foi o fato de a Supergirl ter chamado a Lena de vilã, mesmo sabendo que aquilo iria trazer a superfície traumas que a Lena tem de ser comparada com os Luthors que são, de fato, vilões.
A cena poderia ter ido para um caminho bem diferente. Heck, o episódio poderia ter ido para um caminho totalmente diferente, só com os elementos disponíveis. O Mxy, a fadinha do episódio, poderia ter dado a entender que ele shippava supercorp. A Kara poderia ter negado. O episódio poderia ter continuado exatamente igual e o resto da temporada poderia ser dedicado a salvar a Lena, sendo a Kara impossibilitada de contar de que ela talvez tenha desenvolvido sentimentos pela Lena.
Talvez, essa última fala poderia ter sido o começo de um desenvolvimento romântico. Um primeiro passo. O episódio inteiro foi tão romântico em si mesmo, que ninguém estaria surpreso. Coloque a pessoa mais homofóbica do planeta na frente de um episódio desse nipe. Ele ficaria puto, mas não surpreso.
Essa cena foi a gota d'água. A mais preciosa oportunidade para começar a construir o romance foi feita, mas os escritores jogaram ela fora. Eles só fizeram mais build-up, criando, assim, um jenga facilmente destrutível, em vez de um relacionamento sólido e adorado por fãs. Minha esperança morreu bem ali.
E, essa semana, eu vou assistir o primeiro episódio de Fleabag. FODA-SE SUPERGIRL.
Eu estou muito triste e, de acordo com todas as informações que eu consigo sobre o assunto, eu não sou a única.
A sexta temporada já foi confirmada para esse ano e a Melissa Benoist (atriz que faz a Supergirl) tem uma barriguinha de chopp misteriosa que aparece de vez enquando em seres humanos, logo antes deles cagarem uma criança. Basicamente, todos os envolvidos com a série estão heroicamente fodidos, no pun intended.
O último episódio (14) sozinho deve ter sido o bastante para fazer as ações da DC caírem, de tão ruim que foi. Saca só os comentários de uma reação do famigerado episódio:
Eu não sei você, mas eu acho que as pessoas não gostaram muito.
Agora, vamos explorar os motivos. Mas sabe como é, às vezes as razões são meio nebulosas e tem várias coisas que podem ter arruinado essa quinta temporada, é, as acusações de queerbaiting pesaram.Foi só isso que aconteceu, meus chapados. Os gays se ergueram. Oh, o futuro brilha. A partir de agora, as representações serão de qualidade!
E eu entendo que o queerbaiting sozinho pode ser uma fonte de grande frustração para a comunidade LGBT, mas para mim, sempre foi um tipo de jogo. Pelo menos, a forma que ele aparecia em Supergirl tinha essa vibe. Mas algo aconteceu no centésimo episódio que fez a série se transformar em ruínas. Eu estava tão envolvida emocionalmente com os personagens que eu simplesmente caí em uma onda de depressão a semana passada inteira.
E OLHA QUE O CENTÉSIMO EPISÓDIO FOI BOM.
Eu fiquei mal porque a última cena confirmou de que o queerbaiting está rolando, propositalmente e com a malícia que eu não estava esperando. Não consegui lidar com isso, minha esperança na humanidade caiu pra 3% em vez de se manter no 7% habitual. Eu meio que estava esperando que o episódio seguinte (que foi o dessa semana) fosse uma merda. Eu até deixei que Body (uma das personalidades apáticas) assistisse em vez de mim. Eu fiquei observando de longe para não ser tão afetada emocionalmente: o que funcionou, já que a minha doença mental serve exatamente pra isso. Obrigada traumas!
Outro motivo que pode ter afetado a percepção do último episódio é o fato de que todas as outras personagens SUMIRAM. Cadê a Nia? Cadê a Alex? Cadê a Andrea? E, pelo amor de Deus, alguém me fala cadê a Kelly porque eu acho que ela não tem um diálogo a cinco episódios.
E olha que eu estou só pensando nos storylines porque até o tema principal da temporada é meio idiota. Os escritores deveriam ter pesquisado no Google "críticas black mirror" antes de fazer uma temporada inteira sobre um assunto que está em declínio. A audiência passou da fase "tecnologia ruim, livro bom". E se, pelo menos, a crítica fosse bem contruída, talvez eles teriam feito um plot mediano, mas não foi isso que aconteceu.
Os vilões não são claros e nem foram muito explorados, os relacionamentos românticos estão brincando de estátua e os escritores esticaram os storylines o máximo possível até o nível de impossibilidade e enfiaram um romance hétero clichê e sem química bem no meio.
D-E-S-A-S-T-R-O-S-O
Agora, acredite ou não, essa parte acima foi o trecho profissional desse artigo, agora eu escreverei mais emocional e profundamente sobre o queerbaiting porque, como eu já disse, me afeta... e muito.
Eu já escrevi em um artigo passado sobre Supergirl que eu me identifico muito com a Kara, por mais que ela não seja exatamente relatable. Isso é por apenas um motivo: ela é bissexual e não se aceita, assim como eu sou lésbica e não me aceito. Falei também que se ela conseguir entrar em um relacionamento, eu iria me sentir mais confiante com a ideia de ter um relacionamento também, por causa dessa identificação.
Acontece que, como ser humano, eu gosto de validação. E, como lésbica, eu não sei o que é isso.
Entenda que eu sou brasileira, marrom, jovem, masculina e abertamente lésbica. Coisas que as duas personagens principais dessa série tão importante para mim não são.
Com essas duas informações apenas, conclua que minha autoconfiança nessas identidades são má formadas. Acontece que eu preciso de representações porque é a única forma que eu conheço de ser LGBT sem "me arriscar" no mundo.
Mas não tenho desculpas porque existem séries melhores. Fleabag, Euphoria, The L Word, Emily Dickinson, Lengends of Tomorrow e She-Ra são só os que vem a minha cabeça. Mas eu estou apegada em um queerbaiting que não vai a lugar algum e que não me representa. Por quê? Porque eu não me aceito ainda.
Porém, eu preciso respeitar o fato de que tem grande chance de eu assistir o próximo episódio semana que vem, assim como eu assisti o episódio dessa semana. Sendo assim, é minha missão sangrar esse artigo e abrir meu coração para um adeus não imediato, mas próximo.
Vamos começar pelo início da crise emocional: a cena final do centésimo episódio (achei cabalístico). A cena não tem nada de mais. É basicamente a Supergirl se provando um mulherão da porra e a Lena se tornando uma supervilã. Mas o que me chamou a atenção foi o fato de a Supergirl ter chamado a Lena de vilã, mesmo sabendo que aquilo iria trazer a superfície traumas que a Lena tem de ser comparada com os Luthors que são, de fato, vilões.
A cena poderia ter ido para um caminho bem diferente. Heck, o episódio poderia ter ido para um caminho totalmente diferente, só com os elementos disponíveis. O Mxy, a fadinha do episódio, poderia ter dado a entender que ele shippava supercorp. A Kara poderia ter negado. O episódio poderia ter continuado exatamente igual e o resto da temporada poderia ser dedicado a salvar a Lena, sendo a Kara impossibilitada de contar de que ela talvez tenha desenvolvido sentimentos pela Lena.
Talvez, essa última fala poderia ter sido o começo de um desenvolvimento romântico. Um primeiro passo. O episódio inteiro foi tão romântico em si mesmo, que ninguém estaria surpreso. Coloque a pessoa mais homofóbica do planeta na frente de um episódio desse nipe. Ele ficaria puto, mas não surpreso.
Essa cena foi a gota d'água. A mais preciosa oportunidade para começar a construir o romance foi feita, mas os escritores jogaram ela fora. Eles só fizeram mais build-up, criando, assim, um jenga facilmente destrutível, em vez de um relacionamento sólido e adorado por fãs. Minha esperança morreu bem ali.
E, essa semana, eu vou assistir o primeiro episódio de Fleabag. FODA-SE SUPERGIRL.



tá nervosa
ResponderExcluirtpm bateu, é?
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