O Grande Irmão Sabe

Gerenciar sua conta > Dados e Personalização > Personalização de anúncios > Acessar as Configurações de Anúncios > Deixe sua cabeça explodir e seu cérebro derreter com as possibilidades de controle de massa que o Google pode fazer.

Eu vi a lista de coisas que eu sou e que fazem parte do meu perfil de consumo, despois de percorrer o caminho descrito acima. Entre eles: meu gênero, minha classe social, a espécie dos meus animais de estimação, que línguas eu falo, minha escolaridade, meu estado civil, meu status parental e meus gêneros favoritos de filmes, música e de séries de TV. Em geral, muitos aspectos da minha personalidade que eu achava não serem preto no branco eram, na verdade, absolutamente claros. Mas não foi isso que me assustou.

Ontem mesmo eu estava pensando em mecanismos para ajudar a população a confiar na distribuição de impostos. Eu pensei em um tipo de site que contaria exatamente para onde os impostos do salário de uma pessoa iriam, assim como os importos de um produto específico, por exemplo. Evitando, assim, a corrupção; e ajudando a população a ver a quantidade de projetos, atividades e sistemas que o governo tem que bancar e como, sem a contribuição de você, cidadão, tal projeto seria impossível.

E essa ferramenta é bem realista. Afinal, o Google sabe até quando eu menstruo (devido a um app que eu baixei); por que raios não podemos usar esses algorítmos para ajudar as pessoas, melhorar o sistema, aplicar uma política com mais participação das pessoas? Esses algorítmos podem mudar o mundo se forem usados bem, mas não é esse o mundo em que vivemos.

As informações coletadas sobre mim não serão usadas para que eu me conscientize de mudanças governamentais e sociais quanto a coisas que me interessam como mulher cis, por exemplo, com atualizações sobre aposentadoria para mulheres, creches do governo, ou sobre eventuais novas leis de aborto. Não, não... essa informação será dada para um anunciante de creme de cabelo, de absorventes e de moda feminina; pra que eu compre e compre e compre infinitamente.

Eu me lembro também de uma ideia que eu tive a alguns anos atrás: um aplicativo que serviria para fazer perguntas para toda a população de um país, como um tipo de plebiscito instantâneo. Mas quem está usando essas possíveis ferramentas é o YouTube. Quem diria? Com os questionários de "que anúncio você assistiu ultimamente?", o site sabe perfeitamente em que anúncios você prestou atenção pra que você compre aquele carro, manufaturando consentimento. Nesse ritmo, eles só estão a um passo de descobrir que eu não dirijo e que eu sou vegana, lésbica e anarquista para que eles possam me dar como anúncio a melhor jaqueta possível (note o preço).


Lembrando que ter as nossas informações vendidas para empresas é absolutamente de acordo com a lei. E muitas vezes, não é nem polêmico. É o preço de ter uma conta no YouTube, correto? E no Netflix também (que claramente tem um algorítmo em comum com o YouTube) e com o Email, Facebook, Whatsapp, para saber das nossas opiniões políticas e relacionamentos com pessoas da nossa família e amigos... com o aplicativo de calendário dizendo o que eu estarei fazendo e onde, assim como aquele outro app que eu uso para manter um tracking da minha menstruação e aquele outro para me manter informada das minhas mudanças de humor e remédios. Não se esqueça dos nudes, dos pornôs, das traições, dos segredos, das organizações políticas e dos blogs que usamos como diários...



Está com raiva? Seja anticapitalista.

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