QUE PORRAS É GÊNERO
Faz algum tempo que eu decidi que eu iria parar de ser transfóbica e faz menos tempo que eu parei de reprimir minha atração por mulheres trans. Eu aceitei o fato de que lésbica significa "mulher atraída por mulheres", não "mulher cis atraída por outras exatamente iguais a ela". Eu já obsorvi essa ideia e eu super namoraria uma garota trans, hoje em dia.
Porém existe uma atração que eu ainda reprimo como se eu tivesse 13 anos e absolutamente apaixonada pela minha melhor amiga: Drag Queens.
Eu entendo que Judith Butler esteja extremamente feliz com a desconstrução de gênero por meio de expressões artísticas que o desafiam, mas eu estou confusa é a única coisa que eu sinto quando vejo um desfile de drags. Eu não gosto de homens e é justamente esse o ponto. Drag é construído a partir de uma performance, então, de certa forma, é pra que eu fique confusa?
Por mais que seja um sentimento comum entre mulheres lésbicas e homens héteros se sentirem atraídos por drag queens, eu não consigo parar de questionar se, na verdade, a própria sexualidade é artificialmente criada. Tipo, se eu só sou uma pessoa não-binária, assim como seria o resto do mundo, apenas reprimindo minha bissexualidade que socialmente foi contruída em volta de mulheres sem querer querendo. Eu não consigo evitar a pergunta que a Judith Butler quer causar no mundo: e se gênero for só uma performance? Isso me confunde deveras! Porque se não for a performance que causa a atração, ou seja, um lado social da construção de gênero; então, é algo biológico (que não entendemos ainda).

E apesar do argumento social me assutar bastante... já que nesse caso só estaríamos fazendo drag uns para os outros em situações sociais, eu me assusto ainda mais com argumentos essencialistas, os quais eu tendo a não acreditar já que eles caem em esteriótipos muito rápido.
Basicamente, tudo isso cai no buraco do que seria gênero e, agora, deixe-me falar o que eu acho disso tudo: eu acho que é tudo social e que estamos em full drag todos os dias, reprimindo nossa bissexualidade e demissexualidade, assim como nossas identidades de gênero fluidas que podem ir de um a outro canto do espectro. Eu acho isso muito mais realista do que "cérebro de homem, cérebro de mulher" como algumas pessoas trans tem trazido a tona nos últimos tempos (truscums). Essencialismo pra mim é bobagem porque eu não me atraio por cérebros ou por auras femininas, além de que eu não me atraio por cromossomos e eu não me apaixono por genitálias. Eu acredito muito mais na possibilidade de uma repressão social generalizada porque a vida já é uma mentira de tantas outras formas... não me surpreenderia se mais um aspecto dela fosse uma farsa adorável de observar.
EU AMO KATYA ZAMOLODCHIKOVA E VALENTINA. bEIJOS.
ordem mundial e a destruição da família tradicional... só observo
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