Segunda Semana Sem YouTube

Como é de se esperar, eu estou indo bem e sem tentações. Estou escrevendo pela segunda vez sobre as mudanças no meu dia a dia sobre o YouTube, e não múltiplas vezes por dia, como no início do ano, na primeira tentativa. Mas eu tenho que dizer, tem sido duro... por mais que, comparado com aquela primeira semana, seja mais fácil.


Quando eu apaguei minha conta no Facebook, em 2014, eu comecei a reutilizar os mesmos memes e piadas, até que eu finalmente desintoxiquei e comecei a falar de outras coisas. Comecei a notar que estou fazendo isso com o YouTube, com o podcast Low Society (o qual eu estou ouvindo, toda a vez que eles postam um episódio novo) e sobre a única série que estou assistindo (Harley Quinn). Enfim, o problema é que existe esse pequeno medo em mim de que eu não vou mais conseguir falar sobre nada quando eu me desintoxicar do YouTube.


A maioria das pessoas fala em códigos extremamente voláteis hoje em dia. Ano passado, eu ouvia os YouTubers esquerdistas falando sobre os antifa e sobre o quanto nós deveríamos apoiá-los e, se possível, fazer parte. Hoje, minha mãe sabe o que é antifa e apoia.


De mês em mês, um novo meme surge das sombras e atrapalha todo o cotidiano das pessoas, até que todos, coletivamente, se enjoam da coisa e começam a parar.


Isso acontece com séries da netflix, postagens famosas no Twitter, notícias, etc. As pessoas estão constantemente "fofocando" a realidade em vez de falar sobre si mesmas ou sobre qualquer coisa fora daquele curto leque de possibilidades de assunto.


E, ao me privar desse conhecimento, por mais que ele seja inútil nesse momento da minha vida, eu não tenho assunto inicial com as pessoas... a não ser como ouvinte e, eu tenho que dizer: eu não sou boa ouvinte. Eu, na verdade, sempre fui uma péssima ouvinte. Mas isso já é esperado, já que eu tenho um blog que ninguém entra e que me faz extremamente feliz só na possibilidade de eu poder ser ouvida, mas nunca ouvir.


"Blogs são basicamente conversas que ninguém nunca quis ter com você." - Diários também, e eu tenho os dois.


Mas tirando a minha ansiedade de que ninguém vai entender do que eu estou falando daqui a dois anos, eu tenho que dizer que tem sido um abrir de olhos essa experiência toda. As pessoas a minha volta estão extremamente distraídas. Com "pessoas a minha volta", eu digo pessoas no parque, meu núcleo familiar, minha família estendida.


Hoje, minha mãe fez o jantar enquanto ouvia um ativista de esquerda no YouTube, e ainda tentava conversar comigo. Logo depois, chega meu irmão, tentando conversar com a minha mãe enquanto ele estava assistindo aula no celular. Então, chegou meu pai tentando conversar com a gente, enquanto a televisão do quarto dele ainda estava ligada e era possível ouvir o que ele estava assistindo antes.


Basicamente, o jantar foi uma série de pequenos barulhos com ouvintes diferentes, tentando conversar entre si e não conseguindo. Demorou um bom tempo de observação para que eu entendesse que o jantar sempre foi assim. Nunca foi diferente, sempre teve uma televisão ligada, as pessoas distraídas, em horários diferentes, às vezes sentados, às vezes não, comendo coisas diferentes e tentando conversar e nunca conseguindo.


Será que eu estou fora da matrix?


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