Terceira Semana Sem YouTube

Notei, meus caros que eu passei três semanas sem ver vídeos no YouTube. 
Devo dizer que as coisas que vieram a minha cabeça são tantas que mesmo tendo um diário e um blog, não consegui escrever todas.

Como você sabe, eu decidi limitar o meu uso da internet porque eu não queria cortar uma coisa para me viciar em outras. Sendo assim, eu limitei meus podcasts para um: Low Society, assim como minha série: Harley Quinn, e até me deixo assistir um canal do YouTube: ContraPoints. 

Eu também finalmente aprendi a ler. Eu li nas últimas três semanas:

The Power of Boredom
Bored and Brilliant
Capitalist Realism
O Universo Numa Casca de Noz
Matilda
Vida e Morte - da saga Crepúsculo (não terminado)
As Palavras e As Coisas (não terminado)

Sim, tem sido extremamente intelectual da minha parte cortar o YouTube e o celular; e eu sei que você concorda comigo, já que um livro da série Crepúsculo está na minha lista. Mas eu não quero ser intelectual, eu quero ser artista e, apesar de eu estar fazendo deverEs de casa como nunca e lendo deverAs, estou começando a achar que para você ser artista você precisa, tipo, fazer arte. 

Meu ponto é que talvez, eu tenha me forçado a fazer umas coisas, quando eu deveria ter focado em outras. Como, por exemplo, por que raios eu estou tentando escrever cartas para deus? Ou doando tempo de mais para fazer uma logo? Eu acho que eu devo começar a focar em algumas coisinhas, em vez de outras. O desespero bateu porque eu acabei de terminar o Universo Numa Casca de Noz e, tipo, podemos morrer a qualquer momento. Por mais que as possibilidades sejam baixíssimas, nada me aflige mais que pensar que podemos todos morrer simultaneamente sem nenhum aviso. E mudanças precisam ser feitas.

Mas, apesar das mudanças positivas que tem acontecido, eu não posso ignorar o quanto é difícil não focar no fato de que eu estou sem YouTube. Tipo, quando eu consegui virar vegana, depois de muitas tentantivas, foi como respirar. Eu só não ligava mais para leite nem ovo, eu não precisei focar nas coisas que eu não estava consumindo, mas com esse lance do YouTube e do celular, eu sinto que energia demais tem sido gasta para evitar os dois. O YouTube está em todo o lugar onde tem internet e o meu celular está literalmente do lado da minha cama (porque eu preciso de alarme). Tudo está pronto para ser usado! É como uma pessoa tentando deixar o cigarro com 30 maços em casa. Além de que estar sozinha sem fazer nada é extremamente tedioso e, por mais que eu esteja tentando aceitar esses momentos de tédio, é muito difícil ficar neles o tempo todo, ou até mesmo ficar a tarde inteira lendo um livro, como antes eu faria com televisão, Netflix, YouTube ou redes sociais.

Eu só espero que eu consiga vencer essas tentações de Satã, do Tinhoso, do Mochila de Criança. Amém.

(eu, a intelectual, orando ao nosso senhor jesus)


Outra pequena coisinha que quase não importa e que tem acontecido é que: eu penso antes de agir agora. Sim, uma das coisas que eu nunca achei que fosse possível de mudar na minha pessoa está começando a ser uma realidade. Antes de agir, eu penso. É como se a falta de estímulos me fizesse menos impulsiva e mais reflexiva.


Com essa reflexão toda, eu comecei a desenvolver empatia. Eu sempre fui muito empática. Me lembro que eu chorei aleatoriamente aos treze anos de idade porque pessoas pobres passavam por perrengues. Não foi uma lágrima, foi uma enxurrada de pensamentos e crises existenciais se sobressaltando, de forma que eu estava soluçando e chorando rios. Mas eu sinto que a minha empatia era aguda com a internet... aguda e com pouca nuance. Agora, eu acho que eu consigo manter minha empatia por mais tempo, menos intensamente. O que é ótimo. Não estou tendo crises de choro no meio de um bom dia e jogando bombas emocionais em quem não merece. Estou mais cuidadosa com as minhas palavras... como eu disse, menos impulsiva. Minhas conversas fluem melhor, eu tenho mais consistência, estou mais estável em geral.


E é agora que fica curioso: eu estou começando a amar mais. Eu estou me apegando a coisas imateriais e a pessoas com mais carinho. Toda a vez que o sol se põe, eu fico triste, porque eu comecei a me apegar ao sol. Melinda, que é uma das alters que mais aprecia esse processo do tédio, vai caminhando para fora de casa até o pôr-do-sol e anda olhando para ele, até que o pôr-do-sol acabe. Só então, ela volta para casa.


Pela primeira vez, eu notei que o gato coloca a língua na água seis vezes antes de engolir o que ele acumulou na boca. E, nesse momento, olhando para o meu felino, eu só senti essa coisa intensa pelo meu gato. Eu amo meu bichinho, ela é uma gracinha.


Durante meses, eu ouvi uma criança do prédio fazer birra. No dia seguinte, eu acordei cedo e ouvi ela na janela. Aquele rostinho bonitinho e redondo, com o cabelo bem preto chamou minha atenção. Ela gritou "gatinho!" para meu gato na telha vizinha, que estava tomando sol. Foi tão bonitinho. O amor que eu senti pelo meu gato no dia anterior foi transportado para o presente e entregue para essa guriazinha aleatória que gosta de felinos e grita pela janela do prédio.


Depois de uma das caminhadas ao por do sol da Melinda, eu tive que levar o corpo de volta para casa e eu senti cheiro de canjica e me lembrei que estamos em mês de festa junina. Fiquei muito feliz por essa pessoa ter feito canjica mesmo que não seja para ninguém além dela mesma e uma provável família. Mais uma vez, me veio a impressão de felicidade genuína, amor, empatia. Eu não sei como explicar, mas eu tenho certeza que se eu estivesse vendo vídeos no YouTube no meu quarto eu não teria notado uma canjica sendo feita nas redondezas.


Hoje mesmo, eu acordei às 7:30 da manhã porque ontem eu estava cansada de mais quando o sol foi embora. Daqui a pouco, estou dormindo quando o sol se pôr e acordando quando o sol nascer. E essa ideia não me incomoda nem um pouco.


Enfim, a vida é mais bonita agora. Ela meio que desacelerou.


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