Dia #3 - Abstenção de Mídias Audiovisuais

 Crash, isto é, uma drástica depressão de humor e redução de energia que ocorre entre 15 e 30 minutos após cessado o uso da droga e pode durar de oito horas a até quatro dias. O usuário pode sentir depressão, ansiedade, paranóia e um intenso desejo de consumo da droga, que diminui depois de uma a quatro horas, quando a "fissura" pelo uso da droga é substituído pela "fissura" pelo sono: instala-se então uma hipersonia, com aversão ao uso de mais cocaína. O indivíduo desperta algumas vezes para comer, ingerindo grande quantidade de alimento, e volta a dormir.
Hoje, eu dormi 13 horas. Acordei às três da tarde, com meu irmão entrando no quarto e dizendo: "você tá fingindo, né?" e depois de tocar no meu braço, ele disse "Hunter, você entrou em coma". O que apesar de estar totalmente fora da realidade, eu realmente dormi muito. Acho que nunca dormi tanto, inclusive.

Ontem, às onze e pouco, eu fui nas minhas notificações do YouTube, porque eu presisava ver. Lá tinha um vídeo da Kat Blaque, uma mulher que eu amo mais que a vida (e considerando que nunca nos conhecemos, eu poderia ser o clássico exemplo que uma Gen Zer com relacionamentos parassociais mais importantes que relacionamentos reais). Também tinha um vídeo provavelmente hilário de "Matando Matheus à Grito".  Alguns comentários que eu fiz foram respondidos por várias pessoas, querendo esclarecimentos, discussões ou simplesmente afirmando coisas positivas ou negativas sobre meu comentário. Claro que alguns outros vídeos sobre "como usar estrutura" para usar no meu livro são muito importantes também... e aquela resposta ali parecia interessante! O que Kat Blaque diria hoje que me faria ficar chocada com sua inteligência e sua vida? Espera, aquilo é a reação de alguém ao novo episódio de Crossover da DC?...  E TEM A SUPERGIRL! EU PRECISO ASSISTIR!


Mas eu não cliquei em nenhum vídeo porque o desejo de saber quem eu sou sem o meu vício era maior que assistir um vídeo.

Claro que, essa noite, eu sonhei com o YouTube. Eu vi vários vídeos nos meus sonhos, os quais a cruel eu da vida de vigília nunca se deixaria assistir. E se tem uma coisa que eu aprendi ao ler o livro de Freud, é que sonhos cumprem desejos e que sonhamos com o que reprimimos. Ou seja, minha mente está funcionando do jeito que deveria, porque não houve censuras no sonho e acordei mais satisfeita do que ontem, quando sonhei que tinha marcado um encontro (o que também é triste, considerando que nem amigos eu tenho e que a garota com a qual eu sonhei, eu conheci aos 15 anos e nunca mais vi desde então).

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Após 500g de inhoque de batata ingeridos com sucesso, eu comecei a pensar se realmente tudo isso é útil, se eu realmente quero passar por tanto sofrimento, que às vezes, parece desnecessário. O YouTube salvou minha saúde mental, me impediu de me matar na adolescência, me convenceu a sair do armário e a sair da seita em que fui criada. O YouTube me ensinou inglês, me fez interessada em política e me ensinou sobre filosofia, que sempre foi um dos meus assuntos especiais como mulher com autismo. O YouTube me mostra outras perspectivas e interesses, mas aí me vem as coisas ruins:

  • 70% do que eu penso vem dessa rede social.
  • Desde que me entendo por gente, o meu vício em mídias audiovisuais foi um componente chave no desenvolvimento da minha personalidade.
  • 1/6 da minha vida foi gasto na frente de uma dessas telas.
  • Eu não sei quem eu sou sem a influência constante da mídia.
Eu tenho medo de mim mesma. Faz quase três anos que eu mudei completamente de pessoa mais triste, para a pessoa mais feliz que já fui. E, agora, eu acabei de identificar esse elefante na sala que eu nunca tinha visto antes, provavelmente porque eu tinha elefantes ainda maiores para resolver. E eu fui forte o bastante para resolvê-los, agora, eu preciso enfrentar esse 💖.



Comentários

  1. rídiculo vc achar que isso é um vício comparável a cocaína, tipo, qual é o seu problema?

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